Auschwitz e of filhos de Abraão

Julho 6th, 2007

AUSCHWITZ E OS FILHOS DE ABRAÃO

De: Agamenon Troyan

Os gritos ainda ecoam

Em cada canto,

Em cada trincheira,

Em todos os túmulos.

Restos mortais exibidos

Como souvenires

Enchem de orgulho

O primitivo estágio ariano.

O sangue do cordeiro

Continua a jorrar

No solo árido.

Até que ponto a Bestialidade

Deixa de existir em um mundo abstrato

Para tornar-se mais humano?

Crente ou ateu

Incrédulo ou cético,

Auschwitz continua vivo em nossas memórias

Um pesadelo que brotou

E nunca mais se apagou.

Inocentes ali pereceram.

Sobreviventes dali morreram,

Levando para o túmulo

O sacrifício dos filhos de Abraão…

Não tenho intimidade com as palavras

Julho 6th, 2007

NÃO TENHO INTIMIDADE COM AS PALAVRAS

De: Agamenon Troyan

 

Não tenho intimidade

Com as palavras,

E sequer com as Letras.

Mas sei o que elas significam

Quando invadem o meu coração.

Libertam o espírito cativo

De um Eros,

E poético de um Orfeu;

Porém sempre prisioneiro

De suas dúvidas.

Não tenho intimidade

Com as palavras,

E sequer com a minha Língua,

Tão obscura… Tão obtusa.

Para começar a entendê-las

É preciso fechar os olhos

E abrir a janela da alma.

Passar a observá-las

Com os sentimentos,

Ora paradoxais,

ora antagônicos.

Não tenho intimidade

Com as palavras…

NAYARA

Julho 6th, 2007

NAYARA

De: Agamenon Troyan

Meus sentidos não fazem sentido

Estou a vagar em um barco sem leme

A cada dia levado pelas ondas.

 

Uma voz me desperta…

Fecho os olhos e vejo você.

Cada palavra dita,

Cada sílaba articulada,

Conduz o meu barco para além do horizonte.

Não me atrevo em abrir os olhos,

Pois não quero ficar órfão dessa doce ilusão.

Sinto as horas tocarem-me os olhos,

Tentando de qualquer maneira despertar-me.

Vivo travando esse longo duelo

O qual, por você, luto a cada instante…

A solidão articula sua última cartada:

Oferece-me palavras vis, blasfêmicas e ofensivas.

Desperto-me envolvido numa bruma de desespero

Grito o seu nome… Nayara!

Mas sua voz não responde.

A lembrança de sua ausência me assombra

Ao mar, dediquei o sal do meu pranto,

Aos sonhos, ofereci um banquete de incertezas

Ao vento, lancei esse poema

Para que todos saibam o seu nome…

O olhar de Yolanda

Julho 6th, 2007

O OLHAR DE YOLANDA

De: Agamenon Troyan

Entre eu e você

Existe um enorme abismo

Que precisa ser vencido

Com diálogos e confissões.

Quando estou só

Sinto falta do teu olhar,

Quando estamos juntos

Sinto falta de nos comunicar.

Mantenho ardentemente a esperança

De um dia tê-la em meus braços.

Conenctar-me com seu corpo

Em tortuosas ondas de rádio.

A timidez uniu-se ao Coma

Gerando tempestades cerebrais

Impedindo a nossa aproximação.

Quero gritar ao mundo que te amo

Mas como posso fazê-lo

Se os teus olhos insistem

Em negar-me?

Terei que fazer meu papel de bobo,

Ou atuar como um desentendido?

De repente…

A sirene do intervalo tocou

Despertando-me de um sonho distante;

Tão distante, mas próximo do teu olhar…

…Yolanda.

O rio, o riacho e o oceano

Julho 6th, 2007

O RIO, O RIACHO E O OCEANO

De: Agamenon Troyan

Quero ser o seu oceano

Navegá-lo sem pressa de voltar

Invadi-lo sob a minha carta régia

Tornar-me parte do seu mar.

Queria ser um rio

Para que você se banhasse

Envolvê-la-ia completamente

Para que não mais me deixasse.

Quem dera fossemos um riacho

Para sempre juntos desaguar

Primeiro no meu pequeno rio

E para sempre no seu grande mar.

PÉTALAS DE ESTRELAS

Julho 6th, 2007

Pétalas de estrelas

De: Agamenon Troyan

 

Contemplei o infinito

Mas ele estava vazio!

Para onde foram as estrelas?

A noite estava calada,

Encontrando uma resposta.

Ofereci-me em ajudá-la,

Porém tudo foi em vão…

Prossegui o meu caminho,

Já totalmente tragado pelas trevas.

A noite veio em meu auxílio…

Deu-me sua mão

Guiando-me na penumbra.

Paramos por um instante;

Precisávamos interrogar o céu.

“Como você pôde permitir tal fato?”

Por que não se manifestou, oh, senhor do firmamento?”

Nada, nenhuma resposta. Nem mesmo um suspiro.

Fechei os meus olhos e fiz um pedido…

Inesperadamente,

Uma estrela cadente,

Caía lentamente…

Estava sendo trazida por um anjo,

Com uma rosa na mão.

Pétala por pétala

Ele as semeou pelo infinito;

Colhendo novas estrelas,

Que para todo o sempre,

Continuariam a brilhar.

Olhos de Curumim

Julho 6th, 2007

OLHOS DE CURUMIM

 

De: Agamenon Troyan

Quando a natureza despertou

Ele adormeceu em devaneios

Bombardeado com os seus encantos

Despertado ele passou a observá-la

Em cada detalhe

Em cada canto.

Seus olhos: era o sol

A terra: sua pele trigueira

Seus cabelos: as matas

Os rios: o sangue que lhe corria

Seus pulmões: o ar fresco

Sua voz: o vento

A chuva… Seu pranto!

Ele percorreu a floresta

Subitamente, no meio do caminho

A encontrou deserta

A natureza começou a chorar…

Suas lágrimas caíram do céu

Entristecendo o curumim.

Ele apontou sua flecha

E atirou ao infinito…

…Tupã a recolheu

Encontrando uma mensagem:

“Pai, perdoai-os porque eles não sabem o que fazem”

O Eterno Lamento de um Bardo

Julho 6th, 2007

O ETERNO LAMENTO DE UM BARDO

 

De: Robson Fernandes

 

Então silenciosamente eu sonho

E minha dor cessa por um instante

Acordo entre velhos amigos do passado

Juntos tocamos nossa melodia

E nos deleitamos de vinho e broa

 

Quando menos espero

Eis que o presente grita o meu nome

Querendo despertar-me para a triste realidade

Abro os olhos e minha dor volta

Caio no vazio… Diante de todos

E ninguém pode fazer nada

 

Então, juntos tocamos nossa melodia

Cantamos tristemente a minha dor

E pelos longos caminhos do silêncio

Lágrimas amargas de minha nova vida

Para sempre e eternamente jamais secarão

(Machado/MG ) Brasil

 

Muito mais que Pão

Julho 6th, 2007

MUITO MAIS QUE PÃO

 

Robson Leal Pereira

Muito mais que pão

Quero afeto, quero paz

Um pouco de consideração

 

Muito mais que pão

Quero ter o direito de sonhar

O direito de ser quem sou

E acreditar que posso ir além

 

Muito mais que pão

Quero e preciso ter

A oportunidade de amar e ser amado

Compor uma nova canção

Construir minha própria história!

 

Muito mais que pão

Quero ver o fim de todas as guerras

Quero e tenho que acreditar em Deus

Sentir a esperança renascendo

A cada manhã em meu coração!

 

Muito mais que pão

Quero liberdade, justiça e dignidade

A mais plena das igualdades

Ver um sol brilhando

No olhar de cada ser humano!

 

 

* Poesia premiada no VI Concurso Plínio Motta de Poesia, pela Academia Machadense de Letras.

 

 

MEDO

Julho 6th, 2007

MEDO!

 

Adriana Barbaroti de Souza

 

Tenho medo que um dia

Você me abandone.

Medo que não queira

Mais o meu amor.

 

De não ver seu sorriso,

Não ter seus abraços,

Não ter seus beijos, suas carícias;

Seu corpo junto ao meu.

 

Medo da solidão,

Da infelicidade,

Da ilusão,

De me machucar profundamente!…

 

… E descobrir que na verdade

Nunca fui amada,

Que nunca fui feliz;

Nunca desejada!

 

Mas com a certeza

De que você sempre fez parte

Da minha vida

E que sempre te amei…

 

 

(35) 9106–6852 (Machado/MG)